A Arte Xávega é uma pesca artesanal feita com rede de cerco e o seu equipamento é composto dum longo cabo com flutuadores, tendo na sua metade de comprimento um saco de rede em forma cónica (xalavar). Antigamente a recolha era feita com a ajuda de juntas de bois e força braçal, atualmente por tração mecânica, dois tratores.
O xalavar é colocado no mar, longe da costa por uma embarcação, que vai desenrolando a metade do cabo, ficando uma das pontas do mesmo amarrada a um dos dois tratores intervenientes. Os pescadores efetuam o cerco aos cardumes de peixe em alto mar e retornam à praia desenrolando a outra metade do cabo para a sua extremidade ser enrolada ao segundo trator. A xávega termina com a chegada a terra e abertura do xalavar que contém a pescaria. A Xávega é definida pelas artes que a caracterizam (redes, barcos, etc.) e não pelo método de tração utilizado na alagem, que inicialmente era feita por juntas de bois, passando depois a ser feita por força braçal com o auxílio de aladores e tratores.
O processo engloba várias indústrias e conhecimentos, como a montagem, armação, reparação e utilização da arte, as correntes e os ventos oceânicos, o clima, a geografia submarina da faixa costeira, e as várias espécies de peixes.
Este tipo de pesca era praticado em várias praias ao longo da costa portuguesa.

A palavra xávega provém do árabe xábaka, que significa rede, sendo a denominação xávega era usada pelos pescadores do sul de Portugal. No litoral centro e norte praticava-se um tipo de pesca idêntico, mas com muitas diferenças, ou seja: os barcos, diferentes na forma (crescente de lua) e no tamanho, também de fundo chato e com as suas proas bastante mais elevadas para melhor suportarem o ímpeto das ondas e tinham uma capacidade de carga muitíssimo maior do que os barcos do sul.

Inicialmente, o termo xávega era usado só pelos pescadores do sul, nomeadamente os da costa algarvia e tanto dava para definir a rede como o próprio barco. No litoral centro e norte, o termo por que se denominava este tipo de pesca era simplesmente “as artes” ou “as campanhas das artes”. Por uma questão de legislação e porque as leis quando são feitas são para todo o país, começou-se a chamar (erradamente) xávega a todo o tipo de pesca envolvendo o arrasto em que as redes são puxadas para terra.

A pesca por arte envolvente-arrastante, onde se inclui a pesca com Arte-Xávega, foi regulamentada pela Portaria 1102-F/2000, de 22 de novembro, alterada pela Portaria 244/2005, de 8 de março.

A Arte Xávega é uma tradição que, de ano para ano, se vai perdendo em algumas praias no país.

As crises na arte xávega, pesca artesanal costeira que foi determinante na consolidação secular de alguns povoados piscatórios ao longo da costa litoral, são há muito uma realidade socioeconómica com diferentes implicações e transformações sociais nas famílias que durante várias gerações dependeram do mar, bem como ao nível do património cultural, paisagístico e urbano que o tempo foi moldando com a própria evolução da linha de costa, restando apenas memórias de um setor económico que durante séculos foi fundamental para a sobrevivência dos povoados concentrados no litoral a exemplo da praia do Furadouro, que assistiu recentemente em silêncio à partida do barco “Jovem”( partiu para São Jacinto para ver se tinha melhor sorte com o peixe, o que não vinha acontecendo em Ovar), que vinha resistindo, ainda que simbolicamente, à dura missão de preservar a tradição da arte xávega nesta zona da costa de Ovar.

Durante as décadas que se seguiram até ao desfecho inglório da partida do “Jovem”, o único barco que ali pescava. A atividade foi oscilando em cíclicas crises, que se foram arrastando de década em década. Em 1940 “trabalhavam na costa do Furadouro duas companhas” e 15 anos depois (1955), “a empresa de pesca S. Pedro começou a utilizar, por economia e falta de pessoal, um barco mais pequeno, de dois remos, com uma tripulação de 27 homens”, enquanto os barcos tradicionais nesta pesca com quatro remos, envolviam 45 homens na embarcação. Estavam então recenseados 146 pescadores tendo chegado a atingir os 324 pescadores em 1969, mas a instabilidade e fragilidade deste setor acabou ser o pão nosso de cada dia, e assim foi sobrevivendo, mais de forma simbólica, para turista ver, tendo ironicamente acabado quando se regista algum incremento de turismo.

 

Bibliografia

Datas da História de Ovar, de Alberto Sousa Lamy

Fontes desconhecidas.